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dezembro 28, 2009

lendo e relendo

Tem coisas que a gente precisa ler. Não apenas no sentido de dever, mas também de necessidade. Palavras que funcionam como aceno de um misto de sensações. Dizeres que fazem bem. Que ajudam no elencar dos amigos nos dedos da mão. Prioridades que se dão a ver. Penso nisso. Nessa vida (isso é para todos), a gente se abre mais com uns que com outros. Muitas vezes por circunstâncias, outras vezes por confiança, outras vezes por tudo isso e mais algo junto. Só que no final das contas, é com poucos que o fazemos. Pois poucos o entendem. Tanto o processo, quanto a continuidade dele... Pois, também, pouco merecemos e poucos "nos" merecem...
Hoje recebi um email de um amigo. Agradecendo um telefonema meu, de final de ano. Já li e reli a mensagem várias vezes. Abri a caixa de correios de forma repetida, como desculpa, só para reler o que ali estava. Muito. Em dois ou três parágrafos, o "resumo da ópera" sobre o ano que passou a partir das nossas conversas. Longes ou pertos. Amigo que não precisa saber tudo, mas que sabe dizer tudo. Sobre tudo. Sapiência de captar os não ditos desse mundo afora... Os meus, inclusive. Aqueles que eu também desconheço. No final do email tá lá escrito: "abrace a todos por mim, esses que estão ao seu lado, como ao seu lado estou". Em ritmo de final de ano, mais uma vez eu digo: obrigado.

dezembro 24, 2009

Feliz Natal

Este ano será nosso primeiro natal juntos. Que bom. Nossa primeira noite de 24. Sempre estivemos separados entre Juiz de Fora e Coronel Fabriciano. Coisas das escolhas que fazemos na vida. Que dizem do quanto valorizamos nossas famílias e da importância de estar junto delas nessa data. Hoje nós seremos a família um do outro. Mais que simbólico, isso diz de outras escolhas nossas. Das atuais. Do compartilhar, também. Em todo natal, a distância, de alguma forma, significava o quanto nós sempre soubemos respeitar o outro. Dar o tempo de cada um a cada um. Isso era sentido, na saudade. Mas também era outro sentido, significado de compreensão.
Nesta noite, a saudade será de outros. Daqueles que estão conosco aqui, em pensamento e em coração.
Numa metáfora bem simples, Natal sempre foi dia de arrumar a cama, dentro de mim, para os meus entes queridos. Conforto de tê-los e de como tê-los. Fechar os olhos para cobrí-los e ser coberto por eles. Isso é segurança. É compreender ciclos. Saber trocar o que deve ser trocado. Gente, objetos.
Talvez eu tenha aprendido ou crescido com a idéia de renovação que se "impõe" a essa data. Só que não a tomo pela imposição. Pelo contrário. Ao ajeitar velhos e novos leitos, recrio meus espaços. E os que chegam e os que ficam, ano a ano, repousam em mim alguma coisa. Algo que varia, mas que, em suma, para além das crenças ou determinações, possui um "inexplic(it)ável" lado humano.
Hoje, em boa companhia, estarei pensando no que sei manter e nos que se matém em mim. No que e quem está comigo. No tudo e no todo que querem estar, também. Aqui e ali. Privilégio a alcançar. Isso também se escolhe. Qualquer um pode escolher.
Meu primeiro natal branco será brando como os outros. No fundo, cheio de novos sonhos. Mas também, como sempre, repleto de boas realidades. É para muita gente que eu digo isso. Obrigado.

novembro 10, 2009

luxo

Hoje o meu pai me mandou um email. Foi um email do login "capril-jacome", que eu criei há um tempo para as coisas do sítio. Na mensagem, uma foto lá de Contagem. E um textinho breve no qual meu pai se referia a um novo "morador", "um novo campeão", pelo qual ele estava "babando". Foi isso. Tudo isso. Muito.
Fiquei minutos lendo aquelas palavras e analisando a fotografia. Mais que a novidade em si, o gesto do email me pegou. Me abraçou. Me transportou longe. Obrigado.
Ao ver meu pai com sua nova aquisição, consegui imaginar sua roupa delgada (não herdei a sempre magreza do sr. Zé Osvaldo) à noite, amarrotada no banheiro e com odor de sitio. Desde pequeno tenho essa imagem. Botas, calça suja, blusa amassada e o cheiro das cabras, dos bichos, nessa roupa pendurada no banheiro amarelo, à direita, no corredor da casa.
Consegui enxergar todos os movimentos e elementos que estavam na foto. Consegui sentir o calor, a grama, os ruidos e minha mãe, ao fundo, dizendo algo para dirigir a fotografia, alegre que só. Vi o entusiasmo do meu pai com seu novo xodó...
Outro dia eu disse: "você pensa de vez em quando que há um oceano que nos separa de casa?". Ela respondeu que sim. E pensamos juntos: "só que uma vez aqui, o Brasil parece mais perto da Europa do que a Europa do Brasil". É um pouco da vontade intermitente de estar lá, acho. Coisas do sentir.
A imagem que veio me lembrou um poema da mineira Adélia Prado (esses mineiros...). Creio que ambos, minha leitura da foto e os dizeres da Adélia, caem como uma luva para o que há no sanduíche de doutorado e além dele. No meu, pelo menos. Estudo e coração.

Ensinamento
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo. 

outubro 20, 2009

escrever

Compartilhando ditos do meu amigo Carlos "Trovão" nos cumprimentos pelos meus cumpleaños:
"que quando a gente, ativamente, escreve, desse escrito a gente não é dono. A gente é resultante do que escreve. E é nesse sentido que eu recortei do Fernando Pessoa um trecho que, aqui, funcionará a meu favor. Diz ele: 'Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela / E oculta mão colora alguém em mim'.
Esse o meu parabéns! Felicidades imensas, caríssimo".

Obrigado!