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junho 09, 2011

gavetas

Outro dia fiz uma limpeza. Faxina de botar pra fora o que se acumulou. Minha mãe, sábia que é, diz que é preciso sempre renovar nosso espírito de organização e repetir esse gesto. O objetivo não é apenas ganhar espaço. No desfazer-se, diz ela, abre-se a compreensão para aquilo que não é mais necessário acumular. E se há dúvida sobre o destino do objeto, a interrogação já traz a resposta: ainda não é hora de desligar-se dele.

Na minha última e recente arrumação, muita coisa se foi. Como há muito não ocorria. Rasguei folhas. Muitas. Separei para a reciclagem. Doei coisas. Inclusive bens e grafias de antigo apreço. Gavetas repletas ganharam novos ares e vazios. Desprendimento cheio de certezas.

Dois dias depois, quando olhei para tudo e aquela nova disposição, acabei entendendo que mais que esvaziar materiais, havia reaprendido a acumular sentidos. Nova fase em que ando registrando menos de mim e mais em mim.

No futuro, a tarefa será a de organizar a memória. Mas isso posso fazer agora. Durante.

abril 14, 2011

índices

A fase nova me deu de presente uma desatenção. Coisa engraçada, já que o regalo me faz fincar o pé em terras pelas quais nunca me acostumei estar. Deve ser sinal de cansaço. Ou então bifurcação, com ares de encruzilhada.
No fundo, creio, deve ser apenas passagem. De um mesmo caminho. Transitoriedade então. Cujo limite ou borda vem aos poucos, em sinais.
Hoje, sem querer, vi fumaça. "Lá na frente tem o fogo", pensei. Abri correndo o depósito e busquei o extintor, aquele da fase antiga. Atenção em riste, para apagar o próximo incêndio.
Com a armadura a ser inaugurada, me vesti de tranquilidade. Mas as armas, eu sei, são aquelas de sempre, as quais conhecerei, em breve e de novo, pela primeira vez.

novembro 25, 2010

outubro 24, 2010

eu voto sim!

Este blog nunca foi espaço para questões coletivas. Sempre preocupou-se, digamos, com coisas menores. Entretanto, há motivo para exceções. Uma fuga à regra com causa justa, justíssima.

Sou um pouco de mim nos muitos posts que habitam esse endereço. E esse eu, é verdade, também tem seu lado político. Dia 31, voto 13.



Veja o panfleto num tamanho maior!
Via @IlustreBOB



Veja o panfleto num tamanho maior!
Via @IlustreBOB

setembro 03, 2010

sexta-feira

A Mafalda do Quiño sabiamente pede ao mundo que estacione, pois ela quer descer. Vontade de fugir do seu movimento por vezes "aburrido". O saudoso Raul também se "enfada" com certas naturalidades e chatices (para não dizer outra coisa) que parecem, em algum momento, convergir (e convergem mesmo!). Um e outro criticando aquilo que não são, ou que pelo menos não querem ser. Eles andam, à sua maneira, no rumo do questionamento ao contexto. Entedimento de que algo incômodo acontece de maneira fragmentada e que necessita de uma (re)ação. Ainda bem.

agosto 30, 2010

puzzle



















Tomar um quebra-cabeça como metáfora para a vida não é coisa nova. Pelo contrário. Vivemos de fragmentos que se juntam, que se encaixam; e que por erro e acerto formam alguma coisa para nós. Seja um sentido, um problema, uma imagem, uma resolução, uma história.

Há aquela peça perdida que aparece do nada e costura uma linha de outras. Há aquela que ocupa um lugar indevido e por lá permance, tempos. Há aquela que pela figura traz um caminho; e outra que, pelo formato, indica uma sequência. Está pronta para receber e acoplar de todos os lados. Ou preparada para limitar, indicando o desfecho pelo início.

Não é à toa que começamos um quebra-cabeça pelas bordas. Não se sabe o tamanho real da "coisa pronta", mas sabe-se que ela possui fronteiras. E à medida que de fora para dentro você alcança os contornos, fica posto o espaço por onde "quebrar-a-cabeça" é mais difícil.

É aí que gosto da metáfora. Não pelo "montar em si", mas pelo avançar sobre a regra básica. A lógica das bordas existe como ferramenta, atalho para a montagem. Mas concluir a mesma no interior é complicado, demorado; é coisa séria.

Hoje levei um puxão-de-orelhas duplo. Meu e de quem me chama, vez em quando, para a minha responsabilidade. Só minha e de mais ninguém. Depois do almoço, já em casa, achei lugar para uma peça estranha do meu quebra-cabeça, de extremidade pontiaguda. Fui entender que seu encaixe era muito mais pelo atrito do que pela forma. Quebra-cabeça em relevo. Também.

agosto 06, 2010

sexto sentido

Mesa de café da manhã, hoje cedo:

- Eu: Mãe, tenho me sentido bem estes dias, não sei explicar. Uma sensação que vem crescendo aos poucos. Não sei dizer desde quando. Mas é isso...
- Mãe: Eu sei. Ontem você tava até cantando...
- Eu: (surpreso) Nossa, é mesmo...

Como diz o dito, "mãe é mãe": você chega com o milho e ela já vem com o fubá...

dúvida cruel

julho 26, 2010

yo también

Este final de semana veio dica de Madrid. Dica boa, "pra variar". Assim como têm sido as minhas conversas com o outro lado do Atlântico. Buenas. Isso também é bom.
Deixo logo aí abaixo o trailer da dica, sonorizado com a canção que posto aqui ao lado, na coluna lateral do blog. Na sequência, a música tema do filme, que eu adorei.
Ainda não vi a "película", mas a trilha já invadiu meu iPod e meu iTunes. Isso, no meu caso, ya es suficiente para gostar.





Yo también

Que será
lo que buscas en tu soledad?
lo que tu suspiras no tener?
lo que no te puedo dar?
En el mar
todo es turbio cuando hay temporal
el oleaje no te deja ver
que la orilla está al llegar

Yo también
tengo sueños en mi corazón
Yo también
me enamoro sin explicación

Yo podría hacer que se parara el mundo
si tu me dejaras tan solo un segundo
de tu amor
Mi amor es tan profundo

Yo conseguiría la mejor estrella
yo te la daría por ser la más bella amor

Yo podría darte todo el universo
todo el universo para mi es pequeño
no lo ves
si tu no estás
no puedo

Nadie más que yo podría iluminarte
hacer que te sintieras como nunca antes amor

Quien será
quien despertará tu palpitar?
a quien entregarás toda tu luz?
a quien decidirás amar?

Yo tambián algunas noches lloro sin cesar
Yo tambián sé que te podría enamorar

Yo podria hacer que se parara el mundo
si tu me dejaras tan solo un segundo
de tu amor
Mi amor es tan profundo

Yo conseguiría la mejor estrella
Yo te la daría por ser la mas bella amor

Yo podría darte todo el universo
todo el universo para mi es pequeño
no lo ves
si tu no estas
no puedo

Nadie más que yo podría iluminarte
hacer que te sintieras como nunca antes amor.

julho 12, 2010

menos um

Hoje cancelei minha conta no Orkut. Continuo pela internet, em outra rede social. Continuo na internet, aqui neste blog. Mas resolvi encurtar meus espaços pelo mundo virtual. Nada a temer, nada a esconder.
Mas comecei a perceber que simples movimentos ou leituras, mais que me colocarem num ócio indevido, me faziam alimentar certos comportamentos ou hábitos, digamos, não tão sadios. Às vezes, perdia um tempo precioso com esses hábitos. O próprio perder tempo era um deles.
É fato que alguns antigos e novos contatos ali estabelecidos ficarão novamente pendentes. Mas fato é, também, que ando requisitando para mim mesmo o reestabelecer de certas prioridades.
Continuo no lugar de sempre. E quem quiser, continuará me encontrando. Inclusive nas virtualidades. Mas o "orkuticídio" (como disse uma amiga) é, de alguma forma (agora que o fiz e o Google não permite voltar atrás), algo simbólico. Menos uma coisa, então.

julho 08, 2010

nice humor

Eu que perambulo por esse mundo da vida acadêmica, achei coisas interessantes ontem no mundo virtual. Sensacional!


junho 21, 2010

coincidência do dia

Sexta-feira passada, tive uma conversa sobre "ses".
O que é isso? O plural da conjunção "se", aquela que usamos no português para expressar o condicional.
Eu acho que sou um autêntico usuário dos "ses". Sempre a me perguntar e ponderar... "e se isso?", "e se isso aquilo outro?". Tem dias que é algo sofrido. Sofro. Pois, às vezes, a dúvida estraga a possibilidade. Ambas regidas pelo mesmo conectivo.
Na sexta, ouvi: "pare de por um 'se' na frente de tudo!". E hoje, ironicamente, me perguntei: "e se eu realmente fizer isso"? *

Coincidência ou não, neste momento, a lista de reprodução do Media Player começou a tocar. E avisou: "se manca!", agora em pronome reflexivo...



* p.s: eu estava num total momento de divagação.

junho 18, 2010

atualidades

Hoje o assunto foi o Saramago. A notícia de sua morte me abraçou por todos os lados. Até me surpreendeu, pela repercussão. Merecida, claro. Achei interessante que a recebi pelo rádio. Algo pouco costumeiro no meu rol de furos de reportagens, tão internético.
Do autor, só li um livro. Confesso (verdade...). Um só... Já estive na tentação de vários outros. Mas sou daqueles que gostam de ler, que adoram frases cumpridas e parágrafos intermináveis, e que, ironicamente, esbarram no texto de Saramago. Quando li o "História do cerco de Lisboa", lembro de ter que parar para respirar. Mesmo. Uma página inteira sem ponto final. Várias.
Sei que isso é só pra quem pode. Só pro Saramago que pode. E admiro. Agora que ele parou de respirar (perdão pelo trocadilho infame e de péssimo gosto), não vai ter jeito. Terei que recuperar o fôlego e correr atrás do tempo perdido.

junho 10, 2010

cadernos

Quando morei na Espanha, eu andei o tempo todo com um caderninho de viagem a tiracolo (quem me lia aqui sabe disso). Foi um hábito novo, que me pedia o anotar descompromissado e dava licença à inspiração, por menos inspirada que fosse. Antes disso, na vida "profissional/estudantil" sempre usei - e bem - meus cadernos.
Na pesquisa, trabalho sempre com um caderno de apontamentos de leituras, outro de apontamentos de insights e outro para reuniões, aulas, palestras. No dia-a-dia como aluno, carregava um caderno grosso, de muitas páginas, e costumava ficar a aula inteira anotando, quase sem respirar. Na infância e adolescência, cheguei a esboçar um diário. Agora me rendi também às anotações virtuais, aqui.
A única coisa que até hoje não tenho - o que será surpresa para alguns - é uma agenda. Já tentei e retentei usar. Mas quando começo, depois de alguns meses ou semanas, já está ela lá, abandonada, como sempre. Como eu faço então? Deixo tudo na cabeça! (Enquanto der, assim será...)
Enfim, todo esse nariz-de-cera* para dizer que hoje, ao buscar umas anotações no meu caderno de aulas do Doutorado, caiu no meu colo, de presente, uma frase. Que cito aqui com data e referência de autor (outro hábito que tenho é anotar data e cidade em qualquer escrito meu):

"O Doutorado é um projeto de vida. Por isso, cuidado para não ser burocrata, fazer o que tem que fazer e, ao final, esquecer-se do principal: a transformação que ele nos provoca" (do professor Alberto Efendy Maldonado, dia 22 de agosto de 2007).

Li, reli, pensei e acrescentei: "a transformação vem de vários lados". Verdade verdadeira.

* o nariz-de-cera, segundo definição do "Glossário de Jornalismo" organizado por Maria Rosane Ribeiro é: "uma introdução vaga, sem necessidade, de uma matéria". Essa e outras definições também no Portal Imprensa.

junho 08, 2010

acabou por hoje

Voltei quietinho lá daquele lugar da memória. É bom ir lá, pra entender o presente. Tive coragem de ir lá, pra entender o passado. Apertei os olhos pra pular o futuro. Lugar da incerteza mais certa de todas. Tem coisa no longe que parece verdadeira. Aí, quando você se afasta e chega perto, não vê mais assim. Não há o absoluto. Corri andando pra entender. Numa pressa calma, ansiosa para me dizer muito tranquilamente aquilo que não pode ser dito. Mas eu escutei. Escutei demais, até. Foi quando gritei, pra dentro. E ouvi, pra fora. Era eu quem tinha que..., isso! Descobri no lá, dali, a dupla face de quem é mais que dois. Vi também. Enxergando, enxergando. No gerúndio, caí no infinitivo: seguir. No final, a frase: "hoje paramos por aqui".