agosto 23, 2017

Há quanto tempo

Chego em casa. Dia cheio. De coisas. De pontas soltas. Fios que você puxa, fios que te amarram. Paro um pouco, apago a luz e deixo o som tocar. Antes de recomeçar o trabalho. Gal e Caetano me chamam de baby, me lembram da gasolina, da piscina, da Carolina. A vida é mais e, ao mesmo tempo, bem menos do que exigimos dela. Eu sei que é assim. Eu sei.





janeiro 26, 2017

cambalhota

Há uma dupla infantil que não falha. LEVEZA E DESTREZA. Na infância está o sentimento irrefletido da tranquilidade, do ser apenas, reunindo sentidos para aquilo que não se sabe. E pelo sem compromisso que é, permite que o prazer venha como mediação. LEVE. Filtro bom do deixar estar, onde não habita a preocupação. Um alívio permanente, que desconhece o peso, e é companheiro fiel da risada. Rir na corrida, rir na pergunta, rir na acrobacia espontânea. Agir com habilidade pela propriedade segura e inconsciente do próprio corpo, que é maleável e imensuravelmente solto. LIVRE. E tudo isso, se passado foi, também é vestígio, é marca, continua. Índice do antes, pelo agora, para o depois. A felicidade, pois, é átimo, mas também memória de uma pura essência. O que faz com que, mesmo adulto, o sorriso dê cambalhotas. De novo.

dezembro 20, 2016

preservação

Cada um tem sua régua. Medidas distintas para ver o mundo. Mais ou menos. Menor ou maior. Uma regulagem conflituosa, já que os consensos do sentir nunca se dão no equilíbrio. Na metragem ou na balança, o ir e vir podem resumir-se também a começos e fins. Sempres e nuncas. Nos centímetros também, portanto, reside um cronômetro. Que, regulado pelo vontade, significa permanência. Seja sim ou seja não, o que fica é, pois, imensurável. Já está. Estará. Obrigado. Foi. Muito. Bom.

dezembro 09, 2016

Ano que passa

Resta aquela pergunta sobre o que ficará e como ficará. A permanente dúvida sobre os motivos e razões do prender-se ao outro, mesmo sabendo que a corda pende para o lado mais forte. Ser fraco. Fortalecer. Seguir sem. Manter-se com. 2016 desaguou. Em mim, em nós. Pois que ele passe. Já que não adianta viver a represa. Ainda que como metáfora.

outubro 13, 2016

Elo

Primeiro, foi um grito repentino, diferente e surpreendente. Era um rio, era um barco, era outro.

Depois, foi encontro marcado. Era dia, era noite, era plano.

Por fim, veio a dança. Era corpo, era vida, éramos.

Belém, Círio, 2016.

O Pará já para em mim.

O Pará é para.

Sempre foi.