Re-ver caminhos é olhar para as pegadas antigas que ficaram. Perceber sobre as muitas pisadas sobrepostas aquele restinho de passadas que insistiram em permanecer. Marcaram o solo figurado que compõe a estrada de trilhas que se sabe pelo olhar da memória. O que re-aparece, entretanto, já não é mais apenas visão de passado. É acúmulo de mudanças que perturbam o que um dia se chamou de essência ou descoberta. Significado de re-viver, para viver de novo pela primeira vez.
Só se desvela o existente, quem sabe, re-fazendo-o. A originalidade do pretérito também está na atualização sensitiva de seus átimos. "Menos simples" do que parece e "mais inédito" do que se imagina.
Fevereiro 12, 2012
Fevereiro 04, 2012
Janeiro 05, 2012
Dezembro 21, 2011
fim de começo
Dezembro veio e se instalou. Trouxe a urgência do que não pode ficar. Demandas da ordem do ontem que não podem ser mais do amanhã. Finalizações, como diz o jargão do calendário que se completa. Dias acionados e vividos em palavras que convergem para o verbete do terminar. Findar estabelecido e previsto. Materializam-se a correria, o abafamento, a listagem do que resta.
Há muito eu não tinha um dezembro como esse. Intenso. Aliás, arrisco quase a dizer que há muito eu não tinha dezembro. Andava eu com uma temporalidade esquizofrênica, com anos que começavam em março mas que não anunciavam seu fim. Coisas do labor que se foi.
Hoje, no final da tarde, uma linda tarde de sol, olhei para a grande avenida que me guiava para casa e pensei. Pensei em um monte de coisas. Pensei nesse dezembro. Dezembro de 2011. Pensei no ano que se vai e no que ele (me) encaminhou. Pensei na sua diferença. Pensei na minha diferença. Na sua importância, dificuldades, imposições e escolhas. Senti.
Há um ano, não me imaginaria naquele trajeto. Não saberia dizer desse lugar. De suas companhias de perto e de longe. Senti o inesperado e sua lição que precisa de tempo. Percepção semi-tardia. Involuntária. Outra demanda de dezembro. De outra ordem. Que não é do imperativo, mas da decantação.
Dezembro veio e se instalou. Trouxe, então, a evidência do que fica. Também. O reconhecer imprevisto e sensível do que me move. O perceber do sentido que me faz concluir. Sensação datada da igualdade do que permanece, decantado por dentro, e que permite pensar o 2012. Reunião do que, em conjunto, já (me) permite ver o novo que se aproxima. Previsão compartilhada pelo irresoluto que me acompanha e que acompanha qualquer um. Aquele que não precisa ser concluído, que permanece. E que começo, enfim, a avistar.
Há muito eu não tinha um dezembro como esse. Intenso. Aliás, arrisco quase a dizer que há muito eu não tinha dezembro. Andava eu com uma temporalidade esquizofrênica, com anos que começavam em março mas que não anunciavam seu fim. Coisas do labor que se foi.
Hoje, no final da tarde, uma linda tarde de sol, olhei para a grande avenida que me guiava para casa e pensei. Pensei em um monte de coisas. Pensei nesse dezembro. Dezembro de 2011. Pensei no ano que se vai e no que ele (me) encaminhou. Pensei na sua diferença. Pensei na minha diferença. Na sua importância, dificuldades, imposições e escolhas. Senti.
Há um ano, não me imaginaria naquele trajeto. Não saberia dizer desse lugar. De suas companhias de perto e de longe. Senti o inesperado e sua lição que precisa de tempo. Percepção semi-tardia. Involuntária. Outra demanda de dezembro. De outra ordem. Que não é do imperativo, mas da decantação.
Dezembro veio e se instalou. Trouxe, então, a evidência do que fica. Também. O reconhecer imprevisto e sensível do que me move. O perceber do sentido que me faz concluir. Sensação datada da igualdade do que permanece, decantado por dentro, e que permite pensar o 2012. Reunião do que, em conjunto, já (me) permite ver o novo que se aproxima. Previsão compartilhada pelo irresoluto que me acompanha e que acompanha qualquer um. Aquele que não precisa ser concluído, que permanece. E que começo, enfim, a avistar.
Novembro 30, 2011
Bob versão Corinne
Is This Love
I wanna love you, I want to love and treat you right;
I wanna love you every day and every night:
We'll be together, with a roof over our heads;
To share the shelter in a single bed;
Is this love - is this love - is this love -
Is this love that I'm feelin'?
Is this love - is this love - is this love -
Is this love that I'm feelin'? Wo-o-o-oah!
I wanna know - wanna know - wanna know now!
I wanna know - wanna know - wanna know now!
We'll be together, with a roof over our heads;
To share the shelter in a single bed;
Is this love - is this love - is this love -
Is this love that I'm feelin'?
Is this love - is this love - is this love -
Is this love that I'm feelin'? Wo-o-o-oah!
I wanna know - wanna know - wanna know now!
I wanna know - wanna know - wanna know now!
I-I-I-I-I-I-I-I-I - I'm willing and able,
So I lay my cards on your table!
I wanna love you - I wanna love, love and treat - love and treat you right;
So I lay my cards on your table!
I wanna love you - I wanna love, love and treat - love and treat you right;
I wanna love you every day and every night:
We'll be together, with a roof over our heads;
We'll share the shelter, of my single bed;
We'll share the same room, yeah! - for Jah provide the bread.
We'll share the shelter, of my single bed;
We'll share the same room, yeah! - for Jah provide the bread.
Is this love - is this love - is this love -
Is this love that I'm feelin'?
Is this love - is this love - is this love -
Is this love that I'm feelin'? Wo-o-o-oh!
Is this love - is this love - is this love -
Is this love that I'm feelin'?
Tell me, if its love, love, love that I'm feelin'?
I wanna love you - I wanna love, love and treat - love and treat you right;
Is this love - is this love - is this love -
Is this love that I'm feelin'?
Someone tell me if its love, love ...
Is this love that I'm feelin'?
Is this love - is this love - is this love -
Is this love that I'm feelin'? Wo-o-o-oh!
Is this love - is this love - is this love -
Is this love that I'm feelin'?
Tell me, if its love, love, love that I'm feelin'?
I wanna love you - I wanna love, love and treat - love and treat you right;
Is this love - is this love - is this love -
Is this love that I'm feelin'?
Someone tell me if its love, love ...
Novembro 23, 2011
saber do amor
Amor é sentimento perene. Corre como o rio, num leito próprio e mutável. Tem seu transcurso cheio de acidentes. E possui uma só nascente.
Às vezes, o fim de uma relação pode trazer a frustração do amor. Sensação de perda e mortalidade. Mas aquele amor que se foi, já era outro. E só o era porque existiu como fluxo. O que o originou permanece. Não apenas pelo Outro, pelo que é do Outro. Mas pelo que existiu a partir do Outro.
Lá no coração, de onde jorra o sentimento, o que habita e vem do fundo é fundante e puro. Ainda não acumulou nem escavou nada. Tampouco foi atritado ou transposto.
Quando há um quando que é fim, é preciso aceitá-lo e olhar para o começo. É o que faz possível a permanência do gostar. Gostar ainda. De uma maneira que não muda. E que não é a mesma. O amor que antecede o amor que existiu é sempre o verdadeiro. É aquele amor que dá a ver a maneira como sabemos, individualmente, gostar. Algo que é pessoal, mas que precisa de um Outro para ser. Por isso sua constância. E diversidade.
Permissão, aceitação e compreensão. Oscilação.
Perder um amor é ganhar a dúvida se saberemos novamente amar alguém. Mas amar não é apenas sentir. É, antes disso, saber sentir. E, assim, sermos amados.
Às vezes, o fim de uma relação pode trazer a frustração do amor. Sensação de perda e mortalidade. Mas aquele amor que se foi, já era outro. E só o era porque existiu como fluxo. O que o originou permanece. Não apenas pelo Outro, pelo que é do Outro. Mas pelo que existiu a partir do Outro.
Lá no coração, de onde jorra o sentimento, o que habita e vem do fundo é fundante e puro. Ainda não acumulou nem escavou nada. Tampouco foi atritado ou transposto.
Quando há um quando que é fim, é preciso aceitá-lo e olhar para o começo. É o que faz possível a permanência do gostar. Gostar ainda. De uma maneira que não muda. E que não é a mesma. O amor que antecede o amor que existiu é sempre o verdadeiro. É aquele amor que dá a ver a maneira como sabemos, individualmente, gostar. Algo que é pessoal, mas que precisa de um Outro para ser. Por isso sua constância. E diversidade.
Permissão, aceitação e compreensão. Oscilação.
Perder um amor é ganhar a dúvida se saberemos novamente amar alguém. Mas amar não é apenas sentir. É, antes disso, saber sentir. E, assim, sermos amados.
Novembro 17, 2011
bússola
Poética
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
(Vinicius de Moraes)
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
(Vinicius de Moraes)
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