setembro 30, 2009

esquinas

Aqui em Madrid, ao sair e entrar em casa, já tinha o meu percurso próprio. Um caminho rotineiro. Talvez aprendido pelo meu contexto de chegada. Seguindo passos instintivos e indicados. Eu vinha da estação do metrô ou a pé, sempre pelo começo da minha calle. E assim, da minha casa ao começo da rua, fazia todos os meus trajetos. Supermercado, farmácia, faculdade etc.
Conversando no almoço com minha nova companheira de piso - agora divido o apartamento com uma francesa, estudante de teatro e um espanhol, estudante de animação gráfica - ela me falou de um outro mercado, que eu não conhecia.
Resolvi então, após um dia na frente do computador, sair para conhecer o supermercado. Não para fazer compras. Fui apenas passear.
O caminho era exatamente o inverso do meu. Em vez de seguir à esquerda, segui à direita. Depois, em vez de tomar a primeira à direita, tomei a primeira à esquerda.
E a simples mudança acabou por ser gigantesca.
Nos fundos do meu prédio, na Avenida Santa Engracia, onde eu já havia passado tantas vezes, me senti quase em "Nárnia". Foi como se um mundo novo surgisse a se oferecer para mim: mercado, lavanderia, cafeteria. Tudo ali, pertinho. Outros. E eu nunca tinha reparado.
Creio que até achei os preços mais baixos...

Hoje dobrei a esquina do ponto de vista. Mais uma.

Um comentário:

Unknown disse...

Dia desses fiz a mesma coisa: virei a direita no fim da rua, quando sempre vou para a esquerda. E dei de cara com o maior shopping de Braga ali, o lado da minha casa...Foi bem "Nárnia" mesmo.