- O Fred já parou de fazer sanduíche.
- Sanduíche?! Ele foi fazer sanduíche na Europa? Pensei que tinha ido estudar.
- Sim, foi estudar mesmo. Com uma bolsa de estudos para um "estágio de doutorado sanduíche no exterior".
- E por que se chama sanduíche?
- Porque este período "divide" o doutorado em dois. Acho que é isso. O doutorado dele agora é como se fosse um sanduíche. Tem duas partes e um recheio.
- Ah, entendi.
- Entedeu?
- Acho que sim.
- E todo mundo que faz "sanduiche" vai pra Espanha?
- Não.
- O Fred escolheu ir pra lá porque há um monte de gente ali que poderia ajudá-lo a desenvolver a tese dele.
- Hum...
- Cada tese é de um jeito. E pode ser desenvolvida de várias maneiras e em vários lugares. No caso do Fred, a Espanha era "o melhor" lugar. Por isso decidiu ir. Concorreu a bolsa de estudos etc. Mas, por exemplo, tem um amigo dele, o Renné, que está em Portugal.
- Ah... E lá em Madrid, muita gente ajudou ele mesmo?
- Diz ele que sim. Pelo menos disse que valeu a pena.
- E agora? Ele continua só estudando?
- Agora ele agora vai terminar a tese. Tem mais um ano pela frente. Tem que escrever muito. "Só isso".
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março 10, 2010
março 01, 2010
domingo
Depois de um sábado chuvoso, meu último domingo de fevereiro em Madrid veio com céu azul. "Sob encomenda" para passeios ao ar livre.
Parque del Retiro. Madrid, 28 de febrero de 2010.
fevereiro 28, 2010
perguntinha fácil
Ultimamente, uma pergunta comum na boca das pessoas, sempre que me encontram, é: ¿Y qué tal has pasado en España? A minha resposta é fácil, mais ou menos com os dizeres que li ontem, na lateral de um "autobus":
fevereiro 23, 2010
Banda Sonora
Em espanhol, banda sonora. Trilha, do som, dos meses em que aqui estive. Uma seleção de ritmos que marcaram. Musicalidade que possui, nas imagens da minha cabeça, enredo para boas lembranças. Recuerdos. Variedade de bons motivos que afirmam e justificam o estar que permanece. Principalmente.
01. Sarandonga – Lolita (agosto)
02. Juntos – Paloma San Basillio (agosto)
03. I Gotta Feeling – Black Eyed Peas (setembro)
04. Be Ok - Ingrid Michaelson (setembro)
05. Bela Flor – Maria Gadú (outubro)
06. Bad Romance – Lady Gaga (outubro)
07. Love for a Child – Jason Mraz (novembro)
08. La vida es un ratico – Juanes (novembro)
09. Canção de Madrugar – Rua da Saudade (dezembro)
10. Sexto Andar – Clã (dezembro)
11. Cuando cae la luna – Estopa (dezembro)
12. Canção do Tempo – Rua da Saudade (dezembro)
13. Onde a gente está – Lô Borges (janeiro)
14. El secreto de sus ojos – Banda Sonora (janeiro)
15. Homenaje a Paco de Lucia y J. Torregrosa – Rumbita (fevereiro)
16. Reconstrucción – Deluxe (fevereiro)
fevereiro 21, 2010
recuerdos televisivos em Barcelona
Lá em Barcelona, como não poderia deixar de ser, fiz um pouco de turismo esportivo. Rapidinho, passei os olhos no estádio Olímpico, palco de uma das minhas memórias televisivas de infãncia. Lembro como se fosse hoje a gente chegando lá na casa da minha prima Cristina, em Santana dos Montes (num frio pra mineiro nenhum botar defeito), em julho de 1992, para a festa do "Santanense Ausente". Na televisão, a abertura das Olimpíadas. Bem no momento em que se fazia uma performance sobre o Mar Mediterrâneo. Mais tarde, naquele dia - e novamente no encerramento dos jogos -, teve a apresentação da música que hoje é hino oficial em qualquer baile de formatura: "Amigos para Siempre"... Um clichê que eu bem gosto.
E em versão "rumba catalana":
p.s.: a primeiríssima memória televisiva que tenho é a do funeral do Tancredo, vista da Telefunken que tínhamos lá nos idos dos anos 1980.
fevereiro 20, 2010
mais contas
Há mais ou menos um mês atrás, estava eu divagando aqui sobre matemática, parênteses, chaves, colchetes. Grandes operações do pré-retorno. Começando por Alcalá de Henares. Pois foi lembrando disso, que entendi que segui fazendo contas. Abaixo, uma amostra do que (entendi) estava (para estar) dentro dos colchetes. Final de semana passado.
La Pedrera. Barcelona, 13 de febrero de 2010.
La Pedrera. Barcelona, 13 de febrero de 2010.
Parque Güell. Barcelona, 13 de febrero de 2010.
Parque Güell. Bracelona, 14 de febrero de 2010.
Parque Güell. Barcelona, 14 de febrero de 2010.
Barceloneta. Barcelona, 14 de febrero de 2010.
La Sagrada Família. Barcelona, 15 de febrero de 2010.
fevereiro 18, 2010
"guns"
Ontem o Vicente, um dos meus companheiros de piso aqui em Madrid, estava com uma camiseta do "Guns N' Roses". "Um jovem de 19 anos fã do 'Guns'?", pensei eu.
Enquanto eu varria a casa, puxei assunto e acabei ativando minha memória musical e adolescente, quando a Cris e a Tati me fizeram conhecer essa banda. Conversamos sobre as músicas etc. Hoje amanheci com uma delas na cabeça. Ou com várias, quem sabe.
Enquanto eu varria a casa, puxei assunto e acabei ativando minha memória musical e adolescente, quando a Cris e a Tati me fizeram conhecer essa banda. Conversamos sobre as músicas etc. Hoje amanheci com uma delas na cabeça. Ou com várias, quem sabe.
fevereiro 16, 2010
fevereiro 09, 2010
desde o sentimento
Se me perguntassem na minha volta ao Brasil por que motivo o mascote da Copa do Mundo de Futebol disputada em 1982 na Espanha era o "Naranjito", eu talvez não soubesse responder. Não saberia até a última semana. Agora sei. Inesperadamente raciocinei sobre.
Em Sevilla, Córdoba, Málaga e Granada - cidades andaluzas que conheci neste começo de fevereiro -, as laranjas são onipresentes. Laranjeiras carregadas de fruto perfilam os passeios que margeiam as ruas. Há laranjas no chão. Há laranjas no ar. Há laranjas que dão boas-vindas aos turistas em muitos - ou quase todos - pontos e locais históricos. Respira-se um perfume que, como bem gosto, dá um ótimo toque sinestésico à experiência incrível e inesquecível de conhecer tais lugares.
E é isso. Pois a Andaluzia é uma viagem de sensações. De ver, de cheirar, de ouvir, de tocar, de saborear. Tudo misturado na disposição ofertante, disponível a quem saiba capturar o que se oferece desde vários sentires.
"Desde vários", aliás, é algo muito espanhol. Não a variedade em si, que se tem sempre por onde se vai, em qualquer lugar. Mas o uso gramatical do "desde". Diferente do nosso, do português. Com mais conotações. Mais que temporal ou físico. Marco para outras situações. Um outro "a partir de".
E foi lá em Málaga, na sexta-feira passada, que recebi um email de Belo Horizonte com os seguintes dizeres: "Fred, sua ligação com a Espanha é de longa data. Um beijo, Mamãe". Havia uma imagem em anexo. Acompanhando as poucas palavras que muito diziam, uma foto daquelas que atravessa linhas de significado. Fazendo convergir num só foco, desde o sentimento, um tanto de coisa.
Nessas coincidências que não se explica, estava lá eu, em agosto de 1982, exatos 27 anos antes de chegar em território hispânico, em agosto de 2009. Na roupa, a Espanha. Na roupa, a laranja. Em tudo, tudo. Desde a lembrança materna e familiar, desde mim. Desde a Andaluzia. Desde os significados...
Talvez eu diga que essas coisas só acontecem comigo porque eu as enxergo dessa maneira. E no fundo é isso. O "só acontecer com a gente" tem muito a ver com o "ver o tudo". Pois se acontece, damos sentido. Faço isso, pois. Muita gente faz.
Nos meus sentidos de fé, ando cada dia mais agradecendo ao meu "anjo-da-guarda". Que tem "trabalhado" muito bem, creio. Numa crescente, acho. Eu comentei sobre isso com o Reges, meu companheiro de viagem pelo sul espanhol. Falei com ele, num momento "cabeça", dessa "proteção que nos acompanha", dos "privilégios", das convergências e de como estas se formam "desde" coisas que estão espalhadas e são partilhadas.
Hoje faz seis meses que cheguei aqui. Agora falta menos de um para fechar o ciclo. Na tessitura quase completa, "llena" de incompletudes, não cansarei de dizer a muitos, "una vez más": obrigado!
Rua Lavras e Naranjito. Belo Horizonte, Brasil, agosto de 1982.
Em Sevilla, Córdoba, Málaga e Granada - cidades andaluzas que conheci neste começo de fevereiro -, as laranjas são onipresentes. Laranjeiras carregadas de fruto perfilam os passeios que margeiam as ruas. Há laranjas no chão. Há laranjas no ar. Há laranjas que dão boas-vindas aos turistas em muitos - ou quase todos - pontos e locais históricos. Respira-se um perfume que, como bem gosto, dá um ótimo toque sinestésico à experiência incrível e inesquecível de conhecer tais lugares.
E é isso. Pois a Andaluzia é uma viagem de sensações. De ver, de cheirar, de ouvir, de tocar, de saborear. Tudo misturado na disposição ofertante, disponível a quem saiba capturar o que se oferece desde vários sentires.
"Desde vários", aliás, é algo muito espanhol. Não a variedade em si, que se tem sempre por onde se vai, em qualquer lugar. Mas o uso gramatical do "desde". Diferente do nosso, do português. Com mais conotações. Mais que temporal ou físico. Marco para outras situações. Um outro "a partir de".
E foi lá em Málaga, na sexta-feira passada, que recebi um email de Belo Horizonte com os seguintes dizeres: "Fred, sua ligação com a Espanha é de longa data. Um beijo, Mamãe". Havia uma imagem em anexo. Acompanhando as poucas palavras que muito diziam, uma foto daquelas que atravessa linhas de significado. Fazendo convergir num só foco, desde o sentimento, um tanto de coisa.
Nessas coincidências que não se explica, estava lá eu, em agosto de 1982, exatos 27 anos antes de chegar em território hispânico, em agosto de 2009. Na roupa, a Espanha. Na roupa, a laranja. Em tudo, tudo. Desde a lembrança materna e familiar, desde mim. Desde a Andaluzia. Desde os significados...
Talvez eu diga que essas coisas só acontecem comigo porque eu as enxergo dessa maneira. E no fundo é isso. O "só acontecer com a gente" tem muito a ver com o "ver o tudo". Pois se acontece, damos sentido. Faço isso, pois. Muita gente faz.
Nos meus sentidos de fé, ando cada dia mais agradecendo ao meu "anjo-da-guarda". Que tem "trabalhado" muito bem, creio. Numa crescente, acho. Eu comentei sobre isso com o Reges, meu companheiro de viagem pelo sul espanhol. Falei com ele, num momento "cabeça", dessa "proteção que nos acompanha", dos "privilégios", das convergências e de como estas se formam "desde" coisas que estão espalhadas e são partilhadas.
Hoje faz seis meses que cheguei aqui. Agora falta menos de um para fechar o ciclo. Na tessitura quase completa, "llena" de incompletudes, não cansarei de dizer a muitos, "una vez más": obrigado!
Rua Lavras e Naranjito. Belo Horizonte, Brasil, agosto de 1982.
janeiro 27, 2010
eu
Eu já parei pra pensar no retorno. É um parar em movimento, andando. Pois o tempo aqui pede o caminhar. Ele caminha no meu encalço e eu no encalço dele. Estou voltando. Hoje, então, oficialmente. Mas estou quem? Era mais ou menos essa a pergunta que um amigo me fez ontem por email. Quem chegará aqui? Aqui é em BH. É no Brasil também. Pergunta difícil essa. Muito. Não disse a ele, apesar de oferecer-lhe com outras palavras uma resposta.
Acabei de chegar. Já cheguei em casa. Vou dizer. Por enquanto, ainda em Madrid.
Acabei de chegar. Já cheguei em casa. Vou dizer. Por enquanto, ainda em Madrid.
janeiro 26, 2010
...
Ando vigilante. Atento. Nas coisas que estão à minha volta, nas pessoas. Não é desconfiança. Sou mineiro, mas nunca fui muito desconfiado. Sempre confiei na bondade alheia. No lado bom das coisas. Ou sobre os outros e situações, nunca pensei demais. Não nesse sentido. Penso muito mais sobre mim.
Minha atenção nova não significa que saquei minhas doses de sentimentalismo e nem me desiludi. Neste processo, entretanto, ando crente de que minha inocência se travestiu (pois prefiro permanecer com ela). Isso eu percebo. Ando enxergando coisas de uma maneira "mais real". Um realismo revelador, que tem me ajudado a ser mais crítico. Outras faces de acontecimentos, atitudes, produções. Meus e minhas. Também.
Curioso disso tudo é que outro dia defini meu momento aqui como de "lua-de-mel". Estou sentindo os finalmentes espanhóis de uma forma nova e empolgante. Com descobertas que têm me remetido às questões que eu realmente vim "solucionar". Em vários sentidos.
Nunca havia parado para pensar na literalidade da expressão "lua-de-mel". Já que automaticamente ela indica o momento simbólico-perfeito de um casamento, do direito "de ele ser começado" para quem ele interessa. Isso está dado, não é pra questionar. E atualmente, é verdade, acho que ando assim com a Espanha, Madrid etc. Impressões. Reciprocidade minha comigo mesmo, refletida no ponto de vista sobre aquilo que vem do que está fora de mim. Muito tem sido mais doce, mais saboroso. Mel? Pode ser. Engraçado é que fui descobrir esse sabor quase sem nenhum quê de lunático. Algo buscado sob muita vigília, construída a partir de muitos encaixes. Quem sabe, pois, na verdade, a fase é de lua, mas preferi as estrelas a um satélite. O que significa isso? Na navegação, a lua indica sobre as marés e as estrelas mostram a direção ao barco. Fico com a idéia de que quando ambas estão visíveis, quer dizer que mesmo escuro, o céu está claro.
Minha atenção nova não significa que saquei minhas doses de sentimentalismo e nem me desiludi. Neste processo, entretanto, ando crente de que minha inocência se travestiu (pois prefiro permanecer com ela). Isso eu percebo. Ando enxergando coisas de uma maneira "mais real". Um realismo revelador, que tem me ajudado a ser mais crítico. Outras faces de acontecimentos, atitudes, produções. Meus e minhas. Também.
Curioso disso tudo é que outro dia defini meu momento aqui como de "lua-de-mel". Estou sentindo os finalmentes espanhóis de uma forma nova e empolgante. Com descobertas que têm me remetido às questões que eu realmente vim "solucionar". Em vários sentidos.
Nunca havia parado para pensar na literalidade da expressão "lua-de-mel". Já que automaticamente ela indica o momento simbólico-perfeito de um casamento, do direito "de ele ser começado" para quem ele interessa. Isso está dado, não é pra questionar. E atualmente, é verdade, acho que ando assim com a Espanha, Madrid etc. Impressões. Reciprocidade minha comigo mesmo, refletida no ponto de vista sobre aquilo que vem do que está fora de mim. Muito tem sido mais doce, mais saboroso. Mel? Pode ser. Engraçado é que fui descobrir esse sabor quase sem nenhum quê de lunático. Algo buscado sob muita vigília, construída a partir de muitos encaixes. Quem sabe, pois, na verdade, a fase é de lua, mas preferi as estrelas a um satélite. O que significa isso? Na navegação, a lua indica sobre as marés e as estrelas mostram a direção ao barco. Fico com a idéia de que quando ambas estão visíveis, quer dizer que mesmo escuro, o céu está claro.
janeiro 25, 2010
operar como
Em Alcalá de Henares, a 30 km da capital, respira-se literatura. Em ruas e souvenirs. "Cidade das Letras" é o que se lê nos qualitativos que acompanham seu nome. Alcalá é terra natal do escritor Miguel de Cervantes, "pai" do fidalgo "Don Quijote".
Em Alcalá de Henares, repousa um pouco-muito da história espanhola, por meio de ruas tranquilas com ar interiorano, construções que datam de séculos, ruínas complutenses do período romano em solo hispânico. A cidade, de nome originário "Complutum", possui papel importante na contextualização do desenvolvimento político da Espanha antiga e na compreensão, desde antes da Idade Média, da constituição de Madrid. Isso tudo eu vi e entendi coletando informações por folhetos turísticos e pelos museus que visitei.
Em Alcalá de Henares, uma coisa (também) chama atenção. No alto de suas edificações, grandes pássaros fazem grandes ninhos e namoram. Algo curisoso e admirável. Pois vê-se nessa composição um certo "mimetismo" às avessas. Na composição por eles formada não há uma camuflagem. Pelo contrário. Há uma explicitação da boa adaptação. Da (feliz) incorporação ao ambiente.
Em Alcalá de Henares, narrativa, temporalidade, convivência.
Além disso, em Alcalá de Henares, neste último sábado, eu iniciei uma espécie de despedida dessa minha primeira-longa estada em terras estrangeiras.
Daqui pra frente, trabalho em ritmo de conclusão e concretização, e alguns passeios misturados à vontade de aproveitar o restinho-que-resta e completar o siginificado desse período que fica. Inserir algumas imagens e experiências. Ajudar o meu contar. Dos dias, dos momentos. Aproveitar. Fechar. Narrar. Buscar nisso um pouco de simbolismo, um pouco mais de satisfação. Dar sentido e permitir que ele chegue (também) sozinho, surpreendente. Por linhas de pautas espaçadas. Mesclar oportunidades criadas com oportunidades surgidas. Acrescentar alegria à nostalgia precoce. Fazer bom (e melhor) o tempo que vem e o tempo que há. Marcar importâncias. Estar ainda mais junto de quem está comigo. Conviver rotineiramente com aquilo que se fez cotidiano. Nosso. Meu.
Na estação do trem, em Alcalá de Henares, eu me lembrei, em meio à prosa do final do dia, de números. Observando a fotografia que tiramos sentados entre estátuas, recordei-me de equações maiores, aquelas onde encontramos várias operações juntas. Onde existem parênteses, colchetes e chaves envolvendo somas, multiplicações, divisões, substrações. Uma lembrança esquisita, do nada, na qual fiquei ontem pensando... pensando...
Acho que num só instante, uma espécie de turbilhão insconsciente juntou peças estranhas e compôs esse vislumbrar. Pensei que desde a semana passada, eu comecei a enumerar regressivamente os dias. Pensei que Alcalá me lembrou o colégio (quando li Dom Quixote e quando, na formatura da 4ª série, "co-protagonizei" uma peça de teatro na qual eu era o Sancho Pança - que lembrança engraçada!). Pensei, do colégio, na matemática. Junto, pensei no entre da fotografia. Nós entre personagens.
Pensei que em Alcalá de Henares, portanto, respeitei uma lógica de fnalização, começando a operar pelo que está dentro do parênteses, como manda a aritmética. Entendi que nas semanas seguintes continuarei fechando colchetes e chaves. Achei legal. "Flipei", como diriam os espanhóis. Contagem de datas, operações complexas; refleti eu.
Pensando então, questionei-me se desde agosto, quando cheguei, eu lutei em algum momento contra moinhos de vento. Acho que sim.
Talvez, em março, já de volta, ficará a idéia romancista de que o privilégio de ter estado aqui tem muito a ver com a realidade (boa) que habita aquilo que idealizamos. Tem a ver com aquilo que imaginei. Assim como ensina a história do cavaleiro não-herói "de la Mancha". Assim como diz, um pouco, a ausência de nexo que reside neste texto e (às vezes ou bastante) em meus pensamentos.
Em Alcalá de Henares, repousa um pouco-muito da história espanhola, por meio de ruas tranquilas com ar interiorano, construções que datam de séculos, ruínas complutenses do período romano em solo hispânico. A cidade, de nome originário "Complutum", possui papel importante na contextualização do desenvolvimento político da Espanha antiga e na compreensão, desde antes da Idade Média, da constituição de Madrid. Isso tudo eu vi e entendi coletando informações por folhetos turísticos e pelos museus que visitei.
Em Alcalá de Henares, uma coisa (também) chama atenção. No alto de suas edificações, grandes pássaros fazem grandes ninhos e namoram. Algo curisoso e admirável. Pois vê-se nessa composição um certo "mimetismo" às avessas. Na composição por eles formada não há uma camuflagem. Pelo contrário. Há uma explicitação da boa adaptação. Da (feliz) incorporação ao ambiente.
Em Alcalá de Henares, narrativa, temporalidade, convivência.
Além disso, em Alcalá de Henares, neste último sábado, eu iniciei uma espécie de despedida dessa minha primeira-longa estada em terras estrangeiras.
Daqui pra frente, trabalho em ritmo de conclusão e concretização, e alguns passeios misturados à vontade de aproveitar o restinho-que-resta e completar o siginificado desse período que fica. Inserir algumas imagens e experiências. Ajudar o meu contar. Dos dias, dos momentos. Aproveitar. Fechar. Narrar. Buscar nisso um pouco de simbolismo, um pouco mais de satisfação. Dar sentido e permitir que ele chegue (também) sozinho, surpreendente. Por linhas de pautas espaçadas. Mesclar oportunidades criadas com oportunidades surgidas. Acrescentar alegria à nostalgia precoce. Fazer bom (e melhor) o tempo que vem e o tempo que há. Marcar importâncias. Estar ainda mais junto de quem está comigo. Conviver rotineiramente com aquilo que se fez cotidiano. Nosso. Meu.
Na estação do trem, em Alcalá de Henares, eu me lembrei, em meio à prosa do final do dia, de números. Observando a fotografia que tiramos sentados entre estátuas, recordei-me de equações maiores, aquelas onde encontramos várias operações juntas. Onde existem parênteses, colchetes e chaves envolvendo somas, multiplicações, divisões, substrações. Uma lembrança esquisita, do nada, na qual fiquei ontem pensando... pensando...
Acho que num só instante, uma espécie de turbilhão insconsciente juntou peças estranhas e compôs esse vislumbrar. Pensei que desde a semana passada, eu comecei a enumerar regressivamente os dias. Pensei que Alcalá me lembrou o colégio (quando li Dom Quixote e quando, na formatura da 4ª série, "co-protagonizei" uma peça de teatro na qual eu era o Sancho Pança - que lembrança engraçada!). Pensei, do colégio, na matemática. Junto, pensei no entre da fotografia. Nós entre personagens.
Pensei que em Alcalá de Henares, portanto, respeitei uma lógica de fnalização, começando a operar pelo que está dentro do parênteses, como manda a aritmética. Entendi que nas semanas seguintes continuarei fechando colchetes e chaves. Achei legal. "Flipei", como diriam os espanhóis. Contagem de datas, operações complexas; refleti eu.
Pensando então, questionei-me se desde agosto, quando cheguei, eu lutei em algum momento contra moinhos de vento. Acho que sim.
Talvez, em março, já de volta, ficará a idéia romancista de que o privilégio de ter estado aqui tem muito a ver com a realidade (boa) que habita aquilo que idealizamos. Tem a ver com aquilo que imaginei. Assim como ensina a história do cavaleiro não-herói "de la Mancha". Assim como diz, um pouco, a ausência de nexo que reside neste texto e (às vezes ou bastante) em meus pensamentos.
Em Alcalá de Henares, luminosidade.
janeiro 17, 2010
"chique no último"
Última fila. Última cadeira. Lá no alto. Não importa. O domingo começou bem. Ao som de música clássica da melhor qualidade. Estréia nossa no Teatro Real de Madrid. O evento? "Domingos de Cámara. Concierto Nº4". Eu gostei. Eu gosto...
janeiro 15, 2010
¡Atleti, Atleti, Atletico de Madrid!
A identificação foi imediata. Não só pelo nome, mas pela vibração. Torcida elétrica, jogo sofrido, tensão... Há coisas nesse mundo que só um atleticano (atletista) pode entender. Por isso é que elas (quase) não têm explicação.
Não sei porque, mas o refrão "Atleti, Atleti..." me lembrou um outro: "Vencer, vencer...". E isso cantado depois do gol então, "emendando" euforia e música... "Bão demais"!
Na entrada do estádio Vicente Calderón (Madrid, 14 de enero de 2010).
Foto antes do jogo.
O jogo: Atletico 5 x 1 Recreativo.
A música na cabeça:
O hino:
janeiro 11, 2010
secreto
Fomos ao cinema sábado. Fazia muito que não íamos. A escolha do filme partiu de uma exigência: tinha quer ser um filme em língua espanhola. Depois fomos pela proximidade e pela repercussão. No "cine" aqui perto de casa estava em cartaz "El secreto de sus ojos", "película" argentina que recebeu nove indicações ao prêmio Goya 2010.
O filme é ótimo, tem um titulo que diz muita coisa e, além disso, foi um excelente programa para treinar nosso espanhol. Saímos da sessão "muy contentos". Recomendamos.
O filme é ótimo, tem um titulo que diz muita coisa e, além disso, foi um excelente programa para treinar nosso espanhol. Saímos da sessão "muy contentos". Recomendamos.
janeiro 10, 2010
más nieve
Amanheceu um dia de sol e frio. Aí o tempo foi mudando. Depois do almoço eu escutei na televisão que às 19hs "da tarde", durante o jogo do Real Madrid, nevaria forte por aqui. Já começou.
Na quinta-feira, ela fez um pequeno vídeo. A gente está se acostumando...
Na quinta-feira, ela fez um pequeno vídeo. A gente está se acostumando...
Parchís
Ontem, enquanto fazia minha "merienda del día", assisti no canal 5 ("Telecinco") uma parte de um programa sobre os "Parchís". Conhecido como "o grupo musical infantil de maior sucesso em língua espanhola" na década de 1980. Não encontrei o vídeo do especial da TV (Parchís: Regreso a nuestra infancia), mas seguem abaixo dois vídeos sobre o grupo.
O Balão Mágico gravou músicas do quinteto espanhol. Entre elas, a "Soldado de Plomo", versão original de "Soldado de Chumbo", como foi traduzida para o português.
O México também teve o seu grupo infantil, o "Timbiriche", do qual o "Balão" também regravou canções. O que eu já tinha dito aqui.
Enfim, no fundo é aquela história: nada se cria, tudo se copia...
O Balão Mágico gravou músicas do quinteto espanhol. Entre elas, a "Soldado de Plomo", versão original de "Soldado de Chumbo", como foi traduzida para o português.
O México também teve o seu grupo infantil, o "Timbiriche", do qual o "Balão" também regravou canções. O que eu já tinha dito aqui.
Enfim, no fundo é aquela história: nada se cria, tudo se copia...
janeiro 08, 2010
do Japão para a Espanha
Quando eu tinha cinco anos eu falava que quando eu crescesse ia me casar com a Simony e passaria a lua-de-mel no Japão. É verdade! Pode perguntar lá em casa.
Tá. Tudo bem. Imagino que há vinte e alguns anos atrás eu e mais da metade dos garotos da minha idade tinham, no mínimo, alguma adoração pela vocalista do Balão Mágico. Só que ir para a terra do sol nascente, tenho certeza, era bem original da minha parte...
Lembrei-me disso no banho de minutos atrás. E saí pensando que hoje faz cinco meses que cheguei aqui. Cinco em Madrid. Agora me restam dois. Só dois. Vou me inspirar na minha criatividade infantil para o tempo que resta e trabalhar bastante. Para ver aonde chego.
Abaixo, "nossa" música... hehehe
Tá. Tudo bem. Imagino que há vinte e alguns anos atrás eu e mais da metade dos garotos da minha idade tinham, no mínimo, alguma adoração pela vocalista do Balão Mágico. Só que ir para a terra do sol nascente, tenho certeza, era bem original da minha parte...
Lembrei-me disso no banho de minutos atrás. E saí pensando que hoje faz cinco meses que cheguei aqui. Cinco em Madrid. Agora me restam dois. Só dois. Vou me inspirar na minha criatividade infantil para o tempo que resta e trabalhar bastante. Para ver aonde chego.
Abaixo, "nossa" música... hehehe
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