- O Fred já parou de fazer sanduíche.
- Sanduíche?! Ele foi fazer sanduíche na Europa? Pensei que tinha ido estudar.
- Sim, foi estudar mesmo. Com uma bolsa de estudos para um "estágio de doutorado sanduíche no exterior".
- E por que se chama sanduíche?
- Porque este período "divide" o doutorado em dois. Acho que é isso. O doutorado dele agora é como se fosse um sanduíche. Tem duas partes e um recheio.
- Ah, entendi.
- Entedeu?
- Acho que sim.
- E todo mundo que faz "sanduiche" vai pra Espanha?
- Não.
- O Fred escolheu ir pra lá porque há um monte de gente ali que poderia ajudá-lo a desenvolver a tese dele.
- Hum...
- Cada tese é de um jeito. E pode ser desenvolvida de várias maneiras e em vários lugares. No caso do Fred, a Espanha era "o melhor" lugar. Por isso decidiu ir. Concorreu a bolsa de estudos etc. Mas, por exemplo, tem um amigo dele, o Renné, que está em Portugal.
- Ah... E lá em Madrid, muita gente ajudou ele mesmo?
- Diz ele que sim. Pelo menos disse que valeu a pena.
- E agora? Ele continua só estudando?
- Agora ele agora vai terminar a tese. Tem mais um ano pela frente. Tem que escrever muito. "Só isso".
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março 10, 2010
março 07, 2010
lendo em mineirês
“Ai Viramundo de minha vida, que vira Minas pelo avesso sem revelar aos meus olhos o seu mais impenetrável mistério. Ai, Minas de minha alma, alma de meu orgulho, orgulho de minha loucura, acendei uma luz no meu espírito, iluminai os desvãos do meu entendimento e mostrai-me onde se esconde esse vagabundo maravilhoso, esse meu irmão desvairado que no fundo vem a ser a melhor razão do meu existir. Foi ele, esse iluminado de olhos cintilantes e cabelos desgrenhados, que um dia saltou dentro de mim e gritou basta! num momento em que meu ser civilizado, bem penteado, bem vestido e ponderado dizia sim a uma injustiça. Foi ele quem amou a mulher e a colocou num pedestal e lhe ofertou uma flor. Foi ele quem sofreu quando jovem a emoção de um desencanto, e chorou quando menino a perda de um brinquedo, debatendo-se na camisa-de-força com que tolhiam o seu protesto. Este ser engasgado, contido, subjugado pela ordem iníqua dos racionais é o verdadeiro fulcro da minha verdadeira natureza, o cerne da minha condição de homem, herói e pobre-diabo, pária, negro, judeu, índio, cigano, santo, poeta, mendigo e débil-mental, Viramundo! que um dia há de rebelar-se dentro de mim, enfim liberto, poderoso na sua fragilididade, terrivel na pureza de sua loucura”.
Fernando Sabino
março 05, 2010
cheguei
Na Espanha, sempre ouvia: "¿Cómo se llama tu ciudad en Brasil?".
Eu respondia: "Belo Horizonte".
E logo vinha: "Es que me encanta ese nombre".
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