dezembro 31, 2009

há coisas que são para sempre

... há que saber vê-las, vivê-las e guardá-las. 2009 se foi. Bem-vindo 2010. muito. demais.

dezembro 30, 2009

Fred, resuma o ano que passou em uma só palavra


2009

"And me, I still believe in paradise. But now at least I know it's not some place you can look for, 'cause it's not where you go. It's how you feel for a moment in your life when you're a part of something, and if you find that moment... it lasts forever." (in: The Beach - Screenplay).

dezembro 29, 2009

da chegada conseguir fazer partida

Canção do Tempo
(Ary dos Santos - In: Rua da Saudade)

Para um tempo que fica doendo por dentro e passa por fora
Para o tempo do vento que é o contratempo da nossa demora
Passam dias e noites, os meses, os anos, o segundo e a hora
E ao tempo presente é que a gente pergunta: E agora?, E agora?

Tempo para pensar cada momento deste tempo
Que cada dia é mais profundo e é mais tempo
Para inventarmos outro tempo menos lento

Tempo dos nossos filhos aprenderem com mais tempo
A rapidez que tem de ser o pensamento
Para nascer, para viver, para existir
E nunca mais verem o tempo fugir

Ai o tempo constante que a cada instante nos passa por fora
Este tempo candente que é como um cometa com laivos de aurora
É o tempo de hoje, é o tempo de ontem, é o tempo de outrora
Mas o tempo da gente é o tempo presente, é agora, é agora

Tempo para agarrar cada momento deste tempo
Interminável e absoluto rasgo o tempo
Num temporal com os ponteiros do minuto

Tempo para o relógio bater certo com a vida
De um homem bom, de um homem são, de um homem forte
Que da chegada conseguir fazer partida
E que desperta adiantado para a morte

dezembro 28, 2009

Nino Bravo

Na noite do dia 24, a RTVE exibiu um especial sobre o cantor Nino Bravo, falecido em 1973. O programa contou com a participação de atuais e famosos artistas da música espanhola, todos cantando canções do "falecido ídolo". A homenagem nos lembrou os especiais do Roberto Carlos nos finais de ano da Rede Globo. Nas imagens e nas músicas, qualquer semelhança ao "Rei Roberto" não deve ser mera coincidência...

lendo e relendo

Tem coisas que a gente precisa ler. Não apenas no sentido de dever, mas também de necessidade. Palavras que funcionam como aceno de um misto de sensações. Dizeres que fazem bem. Que ajudam no elencar dos amigos nos dedos da mão. Prioridades que se dão a ver. Penso nisso. Nessa vida (isso é para todos), a gente se abre mais com uns que com outros. Muitas vezes por circunstâncias, outras vezes por confiança, outras vezes por tudo isso e mais algo junto. Só que no final das contas, é com poucos que o fazemos. Pois poucos o entendem. Tanto o processo, quanto a continuidade dele... Pois, também, pouco merecemos e poucos "nos" merecem...
Hoje recebi um email de um amigo. Agradecendo um telefonema meu, de final de ano. Já li e reli a mensagem várias vezes. Abri a caixa de correios de forma repetida, como desculpa, só para reler o que ali estava. Muito. Em dois ou três parágrafos, o "resumo da ópera" sobre o ano que passou a partir das nossas conversas. Longes ou pertos. Amigo que não precisa saber tudo, mas que sabe dizer tudo. Sobre tudo. Sapiência de captar os não ditos desse mundo afora... Os meus, inclusive. Aqueles que eu também desconheço. No final do email tá lá escrito: "abrace a todos por mim, esses que estão ao seu lado, como ao seu lado estou". Em ritmo de final de ano, mais uma vez eu digo: obrigado.

dezembro 27, 2009

the war is over

"I think now, looking back, we did not fight the enemy, we fought ourselves, and the enemy was in us. The war is over for me now, but it will always be there, the rest of my days. As I'm sure Elias will be, fighting with Barnes for what Rhah calls 'possesion of my soul'. There are times since, I've felt like a child, born of those two fathers. But be that as it may, those who did make it have an obligation to build again. To teach to others what we know, and to try with whats left of our lives to find a goodness and a meaning to this life". in Oliver Stone's "Platoon".

dezembro 25, 2009

Navidad y Balão Mágico

Como já disse aqui, a figura do Papai Noel não tem muita fama na Espanha. Figuras tradicionais mesmo são os Reis Magos. Tanto é que no início de janeiro há grande comemorações e reuniões familiares. No dia 24 de dezembro se celebra a "nochebuena", também com ceia e tudo. Mas o símbolo natalino está ligado, muito, ao mês seguinte.
Eu, que fico prestando atenção em um tanto de coisa "extra" (para me vestir de certos eufemismos), descobri uma música natalina muito conhecida... Música de outros natais, como seria para nós a expressão "de outros carnavais"... E não é que o Balão Mágico tem uma "versão nada a ver" inspirada nela? A indústria cultural e suas pérolas... (e eu no meio, claro... hehehe)



dezembro 24, 2009

Feliz Natal

Este ano será nosso primeiro natal juntos. Que bom. Nossa primeira noite de 24. Sempre estivemos separados entre Juiz de Fora e Coronel Fabriciano. Coisas das escolhas que fazemos na vida. Que dizem do quanto valorizamos nossas famílias e da importância de estar junto delas nessa data. Hoje nós seremos a família um do outro. Mais que simbólico, isso diz de outras escolhas nossas. Das atuais. Do compartilhar, também. Em todo natal, a distância, de alguma forma, significava o quanto nós sempre soubemos respeitar o outro. Dar o tempo de cada um a cada um. Isso era sentido, na saudade. Mas também era outro sentido, significado de compreensão.
Nesta noite, a saudade será de outros. Daqueles que estão conosco aqui, em pensamento e em coração.
Numa metáfora bem simples, Natal sempre foi dia de arrumar a cama, dentro de mim, para os meus entes queridos. Conforto de tê-los e de como tê-los. Fechar os olhos para cobrí-los e ser coberto por eles. Isso é segurança. É compreender ciclos. Saber trocar o que deve ser trocado. Gente, objetos.
Talvez eu tenha aprendido ou crescido com a idéia de renovação que se "impõe" a essa data. Só que não a tomo pela imposição. Pelo contrário. Ao ajeitar velhos e novos leitos, recrio meus espaços. E os que chegam e os que ficam, ano a ano, repousam em mim alguma coisa. Algo que varia, mas que, em suma, para além das crenças ou determinações, possui um "inexplic(it)ável" lado humano.
Hoje, em boa companhia, estarei pensando no que sei manter e nos que se matém em mim. No que e quem está comigo. No tudo e no todo que querem estar, também. Aqui e ali. Privilégio a alcançar. Isso também se escolhe. Qualquer um pode escolher.
Meu primeiro natal branco será brando como os outros. No fundo, cheio de novos sonhos. Mas também, como sempre, repleto de boas realidades. É para muita gente que eu digo isso. Obrigado.

dezembro 22, 2009

Canárias: conclusões

Lembro-me como se fosse hoje do primeiro evento científico que fui fora dos domínios da UFMG, quando ainda estava na graduação. Fomos em um ônibus da universidade (caindo aos pedaços) para São João da Barra, no litoral fluminense, para o SIPEC 2002. Eu fui apresentar um trabalho da minha iniciação científica. Foi uma viagem ótima. Não tanto pelo propósito em si, mas porque marcou muita coisa naquela época. Na volta, chegando em BH, eu disse pro Márcio Simeone e pro Paulo Bernardo (dois professores que foram com a gente, o segundo, meu orientador) que eu "não imaginava que ia tão longe com aquela pesquisa". E o Márcio retrucou algo mais ou menos assim: "você não imagina quão longe ainda vai".
Na volta do Congresso nas Canárias isso veio à minha cabeça, no avião. Eu realmente fui longe. Minha pesquisa, realmente, me levou a outros "sítios". Inimagináveis para mim. Um lugar daqueles que mais que querer mostrar às pessoas, eu tive vontade de levá-las. Obrigá-las a ir...
Voltei dessa viagem com um sentimento de muitos pontos encaixados, muitos balanços traçados. Para o ano de 2009, de 2010, para as coisas que me trouxeram aqui, para tudo que daqui, também, tenho que levar. Há muito o que se fazer. Ainda. Mas já é possível olhar pra trás.
A experiência do sanduíche de doutorado te oferece roteiros prontos e outros inesperados. E, antes de cumprí-los, há que se inteirar deles.
Conhecer a fundo o país onde você está pode ser um destes roteiros. Não o fiz ainda, devo dizer. Todavía, decobri um pouco mais a importância disso. Quando a gente chega ou quando a gente está para vir, muito se escuta sobre o tamanho reduzido da Europa, a possibilidade de se conhecer muitos países em pouco tempo. Mas a verdade é que, além de não estar aqui para fazer turismo (não que também eu não o faça), além de tudo ter um custo (em euros!), não sei se um dia serei de novo "morador" da Espanha. O que me faz ter ainda mais "ganas" de querer mergulhar no que este país tem a me oferecer. Aproveitar a língua, os hábitos, as coisas que no dia-a-dia vão me povoando. Lema para o pouco tempo que resta, quando e como der.
A gente também escuta muito, antes de vir pra cá, que devemos saber transformar essa oportunidade no exterior não apenas em algo acadêmico.. Realizar uma opção. Tempo de você mesmo para você. E isso, mesmo oferecendo (em alguns momentos) obstáculos e limites, é algo que vale - e muito - a pena. Não me arrependo.



Canárias: Gastronomia e Sociabilidade

Outras duas coisas que valeram a pena na viagem foram as comidas e saídas noturnas. Todos os dias experimentei pratos típicos da culinária local, além de no café-da-manhã comer, sempre, o famoso plátano canário (a banana mais consumida na Espanha e que, "in loco", é muito melhor que aquela que se come em Madrid).
Com destaque entre as "tapas y comidas", uma pequena listinha: papas arrugadas (batatinhas assadas com sal na casca), gofio de Trigo (um tipo de farinha que acompanha vários pratos e do qual se faz um ótimo doce, o "quesillo de gofio", que lembra um pudim de pão), potaje de berros (um tipo de sopa verde), mojo picón (molho picante que acompanha as papas), chipirones (um marisco), almogrote (uma pasta de queijo decliciosa) y el bizcocho de plátano (bolo de banana).














"Papas Arrugadas"

Nas bebidas, destaque para o vinho canário (Dominguez), o Ron Miel Cocal (um rum doce que tomávamos de aperitivo... várias vezes... rsrsrs...) e a cerveja Dorada.

Muitas dessas iguarias estiveram presentes nos bares e restaurantes que conheci. Entre eles, um bar brasileiro - onde não resisti e tomei uma caipirinha - e onde, além de música brasileira, escutei música bem local:




 

Por fim, uma curiosidade espanhola, que também é uma "meio brincadeira". Aprendi nas idas ao banheiro, durante as saídas. Se você está num lugar púbico (restaurante, bar etc) e perguntar onde está o banheiro, sempre vão responder: "al fondo a la derecha"... Así es...

Canárias: Arquitetura

Outro aspecto legal de Tenerife é a arquitetura. O antigo e o novo juntos. Bem juntos.
Na ilha está a cidade de La Laguna e também o povoado de Puerto de la Cruz. La Laguna é tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade pelo seu planejamento urbano (mais do que pelos edifícios) que inflenciou muitas cidades da América Espanhola. "Puerto" foi sede da aduana canária durante muito anos, controlando um comércio intenso de importações e exportações (dada a posição estratégia das ilhas; no Atlântico, entre a Europa e a África).
Na parte nova, cito a Faculdade de Comunicação, onde foi o Congresso do qual participei. O edifício: uma pirâmide com vista para o mar. Visão fantástica.


La Laguna, Centro



Puerto de La Cruz



Universidad de La Laguna

Canárias: Natureza

Na minha viagem à Tenerife, nas Ilhas Canárias, no começo deste mês, muita coisa me marcou. A começar pela relação que o lugar te procova com a natureza. Em uma mesma ilha (que é enorme, diga-se de passagem) você encontra praia e sol, floresta, montanha, neve. Frio e vulcão. Vi paisagens que eu nunca esperaria ver em uma diferença surpreendente de dias ou, até mesmo, horas. Nunca, em minhas andanças por aqui, pensaria em ter uma experiência desse tipo. Daquelas que te pungem.
No dia em que cheguei, dia 09 de dezembro, enquanto eu avistava a África do avião, pensei comigo mesmo e anotei no verso do livro que me acompanhava na viagem: "Hoje completo quatro meses aqui. Não esperava chegar tão longe. Reflexos de não saber muito bem aonde ir, mas ter a certeza de onde quero chegar".


Chegada. Aeropuerto de Tenerife Sur. 90 km de distância do hotel.



Puerto de La Cruz - Tenerife, Islas Canárias



 Floresta de Pinhos Canários - Estão no caminho para o vulcão e possuem uma natureza distinta: mesmo em contato com a lava, não se queimam por dentro.



Teide - 3780m de altitude



Na descida do vulcão em direção ao mar, pressão nos ouvidos. Mesmo em terra firme. Sensação impressionante. No alto, sol. Na praia, naquele mesmo dia, chuva.

dezembro 21, 2009

Cosas de la Navidad

Aqui na Espanha, o meu natal está sendo diferente. A começar pela pequena presença do Papai Noel. Dizem as pessoas com quem eu mais convivo que "el Papa Noel" chegou por aqui faz pouco tempo. De uns seis anos pra cá. Forte mesmo, como símbolo, são os Reis Magos. Acho isso legal. Cria uma outra estética para se perceber a época. É claro que há coisas comuns com a imagem que conhecemos. Tem muita luz nas ruas, presépios (aqui se chamam Belén), árvore de natal, corais infantis e adultos. E a neve...
Neste contexto, duas tradições que acabei conhecendo e vivenciando foram a "Cortylândia" e a "Loteria de Navidad". Não dá para dar o mesmo peso a ambas, mas cada uma possui seu imaginário.
A primeira, é um tradicional espetáculo de bonecos organizado anualmente pela cadeia de lojas "El Corte Inglés". Monta-se toda uma estrutura no Centro de Madrid, junto ao metro Callao. Lá, durante o período de festas, vários bonecos gigantes ficam cantando músicas e falando sobre o natal do ponto de vista infantil, do universo dos brinquedos e "regalos". Há uma leve menção à tradição dos presentes que carregam os três reis magos e uma enorme menção (invisível) ao mundo capitalista do comércio natalino... hehehe...
Conheci os "muñecos" no último sábado.
A segunda é de impressionar. A "Loteria de Navidad" mobiliza todo o país. São filas intermináveis durante cerca de um mês pelas ruas das cidades. Todo mundo querendo comprar seu bilhete para tentar a sorte e mudar de vida. Mais que um jogo comum, foi legal ver a mobilização que há em torno do evento. Sem dúvida um hábito e uma tradição. Hoje foi o sorteio. O povo pára na frente da TV, do rádio e da Internet para acompanhar.
Abaixo a transmissão do "Gordo" em 2008:

bienvenido al invierno en Madrid


















 Parque del Retiro. Hoy a las diez y cuarto de la mañana














Calle de Luchana. Ayer, ultimo día del otoño

dezembro 20, 2009

...

citações de um só livro

"As pessoas deviam ter mais de uma vida ou, pelo menos, uma que pudesse também voltar atrás se necessário. Para corrigir o que saiu mal à primeira, aprender a saborear as poucas horas boas - tal como uma canção que quanto mais se ouve mais se gosta - e, sobretudo, para poder ir primeiro por um lado e depois por outro e depois, sim, seguir pelo caminho encontrado" (Sentido contrário, p. 25).

"As coisas foram diferentes porque eu nunca as tinha vivido antes, foi assim, porque me fizeram diferente, senão não eram verdadeiramente diferentes, não achas?" (Dias de 1995, p. 42).

"A vida é uma combinação de coisas que se repetem e de coisas que só acontecem uma vez. O que é curioso é poderem ser as mesmas" (Peixe Vermelho, p. 57).

"O que não quer dizer que uma coisa acontece porque outra anterior aconteceu, mas é conveniente ter uma idéia de como as coisas se sucedem" (Peixe Vermelho, p.59).

"Vencido, libertei-me. Não é um mau começo. Que não se entenda logo é natural, se é só o começo. Vencido, libertei-me. É o meu lema. Mais exactamente, passou a ser o meu lema quando o encontrei. É roubado, confesso, não sei a quem" (Viver todos os dias cansa, p. 69).

"Uma atitude escolhe-se. É que as coisas são como são, mas nós não. Não sei se me faço entender, nem sequer se tenho razão. É terrível ter-se razão. Mas devo ter" (A vida é hostil logo pela manhã, p.69).

"Nós nunca sabemos o que vai acontecer, mas o que acontece não foge por completo ao que conseguimos esperar, por mais imprevisível" (A vida é hostil logo pela manhã, p.71).

"É por causa do sentido que não está nas coisas mas em nós, se calhar é isso" (A vida é hostil logo pela manhã, p.71).

"A vida é hostil logo pela manhã. Que horas são? Onde estarei? A vida é boa e má em tudo. Queria escrever uma coisa e escrevi outra. É o melhor que me pode acontecer" (A vida é hostil logo pela manhã, p.71).

"Pode-se viver na casa mais bonita do mundo, mas é a nossa alma, do princípio ao fim, que habitamos" (Quinta dos Lobos, p. 91).

"Era isso que o fazia continuar a viver, o ser como os outros, sem se saber" (Quinta dos Lobos, p. 92).

"[...] e para podermos continuar a sentir qualquer amor devemos manter-nos muito longe dele, assim justificava a si próprio a sua viagem sem destino" (Quinta dos Lobos, p. 94).

"Dorme-se de menos por se sonhar demais e é tudo" (Amador, p. 97). 

"Por vezes, só se conhece o sentido do que se faz depois de o fazer" (O mundo é tudo o que acontece, p. 127). 

"É odioso julgarem saber quem somos quando nós próprios desconhecemos [...]" (O mundo é tudo que acontece, p.133).

"Uma pessoa não é quem quer ser, não faz o que gostava mais do que tudo fazer, não dita a vida que a leva consigo. Talvez seja isso. O que acontece desde sempre quase sempre a qualquer um. Salvo nos momentos de paixão em que vivemos a tremenda certeza de estarmos a ser quem somos" (Rosa vermelha em quarto escuro, p. 136).

Todos os textos em: PAIXÃO, Pedro. Viver todos os dias cansa. Lisboa: Quetzal, 2008.
Trouxe de Portugal e recomendo.

dezembro 19, 2009

não poderia ser mais [distante] do coração

Hoje um grande amigo meu - o Bini - se casa. Amigo daqueles que não consigo explicar a amizade. Sentirei muito por não poder estar presente nesse momento tão especial da vida dele. Estarei todo o dia pensando na felicidade que lhe desejo. E que também desejo à Ana. Imaginarei os sorrisos e abraços de logo mais, à noite. Todos os amigos juntos. Sei que estarei lá, também, de algum jeito. Nem precisaria dizer isso aqui, mas digo. Como está escrito numa das poucas canções que compartilhamos no gosto: "So close, no matter how far [...] Nothing else matters".

devenir

“Ce qui se réalise dans mon histoire, n’est pas le passe défini de ce qui a été dans ce que je suis, mais le futur anterieur de ce (que) j’aurai été pour ce que je suis en train de devenir” (Lacan, Écrits).

dezembro 18, 2009

datas

Quarta-feira, dia 16, completei um ano de defesa da qualificação do Doutorado. Foi um dia bem especial lá em Porto Alegre. Depois da banca, saímos todos do Grupo de Pesquisa para beber e fazer uma despedida de final de 2008. Lembro-me assim, bem por alto, que fui querer demonstrar minhas aptidões mineiras e tomei umas-não-sei-quantas doses de pinga, junto com cerveja e por aí vai... No dia seguinte...
Foi nesse dia, em meio a conversas de bar, que eu combinei de fazer o artigo que apresentei esse ano na Compós. Compromisso firmado com teor alcoólico, mas cheio de seriedade. E deu certo. Foi um ótimo acontecimento do 2009 que já está indo.
Para hoje a noite, fui "invitado"a la "cena" de final de ano do Departamento de Comunicação da minha Universidade aqui na Espanha. "A ver lo que se pasa". Pues pinga, seguro que no habrá!

dezembro 17, 2009

gosto de quero mais

Estivemos em Portugal do dia 30 de novembro ao dia 09 de dezembro. Fui primeiro para trabalhar, terminar um artigo e conhecer a Universidade Nova de Lisboa. Depois fizemos bastante turismo. Eu já tinha estado lá em setembro e a volta valeu a pena. Não só por poder ver de novo as coisas com outros olhos e outras vontades, mas pela companhia.

Além de Lisboa, estivemos no Porto e em Óbidos. Cumprimos os circuitos turisticos e gastronômicos "básicos" e fizemos umas pequenas compras. Eu, que parecia em abstinência do português, comprei livros e CDs... Foi um misto de sensação capitalista com a incerteza de saber quando estaria ali novamente.
Das comidas, destacaria meus exageros com os doces de ovos (sempre), com destaque para a cornucópia e o afogueado.

O primeiro, parente bem próximo do canudinho de doce-de-leite, lá de Minas. E o segundo, primo-primeiro do ninho de fios de ovos, lá de Pelotas, que me deleitou em muitos cafés em Porto Alegre. Além disso, teve o pastel de Belém (o original), as broas de ocasião, as queijadas, o bolo-rei de natal, o vinho do Porto e o bacalhau (este, claro, mais de uma vez), com destaque para o bacalhau com natas e o bacalhau a lagareiro. Muita "merenda" eu comi lá na Confeitaria Nacional, na Praça da Figueira em Lisboa. Uma perdição. Completa e total. Prazer da gula, inteiro. Ou melhor, pecado... hehehe


Na minha primeira vez em terras lusitanas, o sentimento de estar em casa foi muito forte. Agora se repetiu. Tanto pelos encontros, quanto pelos outros estranhamentos. É muito interessante você entender em você e na sua cultura (nos hábitos, para ser menos reflexivo) a presença da história. Coisas que fazem parte do seu dia-a-dia e que estão acumuladas invisivelmente na sua identidade. Nomes, sobrenomes, pele, pêlos, olhos, narizes, biotipos, comidas, horários, palavras. Mineiridade, brasilidade... intensidade. Mais uma vez, pela diferença, foi bom rever a semelhança.

dezembro 16, 2009

cultura pop, de nuevo

Repito: essas coisas caem no meu colo, sem querer... rsrsrs
Escute quem quiser, eu apenas apresento: Radio Olé.

dezembro 15, 2009

as primeiras vezes a gente nunca esquece

Entre novembro e dezembro fiz duas apresentações aqui na Espanha. Minhas primeiras falas em espanhol num auditório.

A primeira, nas I Jornadas de Diseño Gráfico ocorridas lá na minha Universidade, a Rey Juan Carlos. Fui "de penetra", no meio de um tanto de palestrantes "do mercado", falar da "maquetación gráfica" da revista que eu estudo. Como me disse meu amigo Ricardo, "só eu mesmo para inventar certas modas"... Mas, como diria meu ex-orientador e também amigo, Paulo Bernardo, eu falando de design é uma mostra de que eu não "nego a raça"; ou, no mínimo, a "paternidade" acadêmica.














Durante a apresentação, apesar do nervosismo com o espanhol (na eminência de tentar tratar o auditório por "vosotros" - para mim a conjugação verbal mais difícil...), ainda consegui fazer umas brincadeiras linguísticas com um jogo de palavras. Houve risadas. Também, no final, dois professores que eu não conhecia me procuraram. Um para dizer que queria conversar comigo sobre a revista, que tinha gostado muito da minha perspectiva e tals... O outro para me cobrar uma música. Pois uma das capas de Vida Simples que eu mostrei foi a de novembro, cujo título da matéria principal diz "É melhor ser alegre que ser triste"; e na minha fala, bem brasileiro que sou, fiz menção à Bossa Nova... hehehe (O professor que cobrou a canção, o organizador do evento, me disse que a "minha" revista e a minha apresentação combinariam bem com uma trilha sonora. Prometi a ele, na próxima, um "Samba da Benção").








A segunda vez foi semana passada, nas Ilhas Canárias, em La Laguna, no I Congreso Internacional Latina de Comunicación Social. Vou ainda contar dessa viagem aqui. Sobre minha participação, posso dizer que eu estava bem mais tranquilo que da primeira vez. Talvez porque, diferentemente da minha "estréia", eu já não era mais tão assim, digamos, pagão... Abençoado estava.














Em fevereiro, ainda apresento com meu amigo Reges Schwaab mais um trabalho aqui na Espanha. Será no Congresso da Associação Espanhola de Pesquisadores em Comunicação.

dezembro 14, 2009

cotidiano

Dos meus tempos grises, mas pouco cinzas, uma frase me veio à cabeça hoje.
“sempre é bom recordar que não se devem tomar os outros por idiotas” (Michel de Certeau).

o som do tempo que ressoa

"Quem foge da saudade
Preso por um fio
Se afoga em outras águas
Mas do mesmo rio".
(Chico César & Moska)

antes...

... de contar tudo o que me aconteceu nos últimos dias, uma foto do meu amanhecer de hoje em Madrid. 14 de dezembro de 2009. Eu toquei a neve pela primeira vez na minha vida. Chorei igual criança.


dezembro 11, 2009

ainda, pois

Mais um aperitivo musical trazido das terras lusitanas. A mala* veio cheia de CDs...



*De Lisboa vim para Tenerife, nas Ilhas Canárias. Fico até domingo. Em breve, muito a contar. Tudo anotado. Folhas, palavras e imagens.

dezembro 07, 2009

luso, de novo

Estou em Portugal. De novo. Muito a escrever aqui. Depois. Por enquanto, uma música a compartilhar. Como sempre, eu e meu ouvido permanecemos à procura de sensações. E, também como sempre, as ondas sonoras parecem colaborar. Em uma loja, no quarto andar de um edifício no Chiado, em Lisboa, subi no elevador. Alcancei mais dois patamares. Sexto andar. Sexto sentido.

dezembro 03, 2009

passagem tensa

Ainda não li, mas recomendo. Ainda não encontrei o autor, mas o parabenizo (aqui, também). Antecipo o conselho e faço a felicitação porque tenho certeza de que a leitura de "A passagem tensa dos corpos", livro de estréia do meu grande amigo "Carlos de Brito e Mello", vale a pena. Não só por ser "uma narrativa inusitada sobre a morte", mas porque o autor que a escreve tem vida, de sobra. E isso é qualidade.